Sala técnica de climatização com equipamentos de insuflação e retorno de ar conectados a grandes dutos isolados; fotografia de referência
Climatização

Qualidade do Ar Interior: o que realmente precisa ser acompanhado

Qualidade do ar interior envolve renovação, filtragem, fontes de poluentes, manutenção e medições. Veja as principais referências atuais no Brasil.

Conteúdo técnico DOS Engenharia

A avaliação precisa representar o uso do espaço

Qualidade do ar interior resulta das fontes de poluentes, das condições externas, da ocupação e da forma como o edifício ventila, filtra e controla a umidade. O diagnóstico deve considerar essas relações. Uma leitura pontual, sem registro da operação, pode representar mal a exposição habitual dos ocupantes.

O levantamento inicial deve identificar ambientes, atividades, horários, sistemas, queixas e alterações recentes. Produtos de limpeza, materiais novos, umidade em superfícies e tomadas de ar próximas a fontes externas podem orientar a investigação. Fontes diferentes exigem medidas de controle diferentes.

O CO₂ tem utilidade e limitações

Quando relacionado à ocupação, o dióxido de carbono pode ajudar a avaliar aspectos da ventilação. A interpretação depende de geração, concentração externa, horário, mistura do ar e condições de medição. Uma leitura baixa não comprova ausência de partículas, vapores ou outros contaminantes.

O documento da ASHRAE sobre CO₂, revisado em 2025, destaca essas limitações. Não se deve transformar um único limite de CO₂ em certificado geral de qualidade do ar ou em medida direta e universal de risco infeccioso.

Filtrar e renovar têm funções complementares

Filtros destinados a partículas não removem indiscriminadamente todos os gases. Ar exterior pode diluir fontes internas, mas também introduzir poluentes e umidade se a tomada ou o tratamento forem inadequados. O diagnóstico deve verificar o sistema completo e a compatibilidade entre controle de fontes, ventilação e filtragem.

Umidade e condensação merecem atenção própria. Água acumulada, isolamento deficiente e superfícies abaixo do ponto de orvalho podem indicar uma causa a corrigir. Medir somente a temperatura da sala não permite avaliar todas essas condições.

Planejar amostras e interpretar resultados

O plano de avaliação deve justificar os parâmetros, os locais, as condições de uso e os métodos. Uma campanha deve registrar equipamentos, calibração pertinente, horários, ocupação e condições externas necessárias à interpretação. O número de pontos não deve ser escolhido apenas por conveniência ou copiado de uma tabela sem conferir seu escopo.

Resultados devem conduzir a ações proporcionais: investigar fonte, corrigir drenagem, ajustar ventilação, revisar filtros ou conferir o controle. A verificação posterior demonstra se a intervenção resolveu o problema observado.

Identificar a base técnica

A NBR 17037:2023 foi publicada para ambientes não residenciais climatizados artificialmente. A RE Anvisa 9/2003 foi revogada pela RDC 886/2024. Também houve suspensão comunicada da edição 2024 da NBR 16401-3. Esses eventos não dispensam o acompanhamento do sistema nem tornam intercambiáveis avaliação de qualidade do ar, projeto de ventilação e requisitos específicos de ambientes assistenciais.