Climatização hospitalar não é apenas conforto térmico
Em um hospital, manter a temperatura adequada é apenas uma parte do problema. Dependendo do ambiente, o sistema também precisa controlar renovação de ar, movimentação, filtragem, pressão, umidade e exaustão. A ABNT NBR 7256:2022 é a principal referência brasileira para tratamento de ar em estabelecimentos assistenciais de saúde classificados por risco. Ela diferencia ambientes como Centro Cirúrgico, UTI, CME, Endoscopia e quartos de isolamento, porque cada processo apresenta necessidades distintas.
Renovação e movimentação são grandezas diferentes
A norma diferencia a vazão de ar exterior da quantidade total de ar movimentada pelo sistema. Esses parâmetros são expressos em renovações ou movimentações por hora e, portanto, são relacionados ao volume do ambiente. Isso evita um erro comum: considerar toda a vazão do equipamento como “renovação”. Um equipamento pode movimentar muito ar dentro da sala e introduzir pouco ou nenhum ar exterior.
Pressão e filtragem fazem parte do projeto
Alguns ambientes precisam ser positivos em relação às áreas vizinhas; outros precisam ser negativos. O objetivo é dirigir o fluxo de ar no sentido compatível com o risco, reduzindo a possibilidade de contaminação cruzada. A filtragem também varia conforme a classificação. Em determinadas áreas críticas, a NBR 7256 prevê estágios de filtragem de alta eficiência. Isso deve ser considerado desde a seleção do ventilador, porque filtros influenciam a perda de carga e a vazão entregue.
Projeto precisa ser comprovado
A NBR 7256 inclui Teste, Ajuste e Balanceamento (TAB). Vazões, pressões e outros parâmetros relevantes precisam ser medidos e confrontados com o projeto. Uma sala não deve ser considerada positiva ou negativa apenas porque essa indicação aparece na planta. No Brasil, a NBR 7256 deve ser analisada primeiro. ASHRAE 170, ASHE, CDC e outras referências internacionais podem complementar o projeto, mas não devem ser apresentadas como se fossem exigências brasileiras.
Como o projeto deve ser estruturado
O trabalho começa pela função de cada ambiente e pela classificação técnica aplicável. Depois são definidos requisitos de ar exterior, movimentação, filtragem, pressão, exaustão, temperatura, umidade e controle. Somente então a carga térmica e a tecnologia do sistema são compatibilizadas com essas necessidades. Esse encadeamento evita selecionar um equipamento que atenda à temperatura, mas não consiga cumprir a função sanitária ou operacional do ambiente.
Documentos e entregáveis
Um projeto consistente reúne plantas, memoriais, especificações, critérios de controle, indicação de filtros, vazões, pressões, pontos de medição, detalhes de manutenção e requisitos de comissionamento. O nível de detalhamento depende do escopo e da complexidade do estabelecimento.
Erros recorrentes
Entre os erros mais comuns estão tratar toda vazão como renovação, presumir pressão sem medi-la, aumentar a classe de filtragem sem verificar perda de carga, adotar um único critério para setores diferentes e instalar equipamentos sem acesso adequado para manutenção.
As referências normativas devem ter vigência, edição, emendas e aplicabilidade confirmadas na data do projeto ou da avaliação. Este conteúdo é informativo e não substitui análise específica.
Referências principais
- ABNT NBR 7256:2022
- ABNT NBR 16401-1:2024
- ABNT NBR 16401-2:2024
- RDC Anvisa 50/2002
- ASHRAE Standard 170 — referência internacional complementar
